O multiculturalismo é muito importante em locais de inovação e geração de novas tecnologias. Em países mais antigos, a tradicionalidade cultural é base para o equilíbrio entre as gerações. Um país que sempre está na vanguarda do desenvolvimento tecnológico é os Estados Unidos, mas não podemos esquecer do Japão e da China.

Há pouco tempo um caminhão da Uber percorreu muitos quilômetros para fazer entregas de cerveja de forma autônoma, essa notícia percorreu o mundo em jornais de grande circulação como o New York Times. Segundo Isaac (2016), a ideia de que os serviços comerciais de transporte rodoviário poderiam ser realizados por robôs é relativamente nova.

No entanto, um leque de oportunidades se abre com essa questão, pois segundo Seroa da Motta et al. (2014) um ponto fundamental para a mobilidade em um meio urbano, são os fatores que influenciam e equilibram esse sistema.

Outros autores como Vasconcellos (2012) citam fatores influenciadores, como: o sistema político e econômico, o Estado, os capitais financeiro, industrial e comercial, a indústria automotiva, os indivíduos, os sistemas de transporte e trânsito, os processos migratórios, o valor da terra e a dinâmica da economia.

O tempo médio de deslocamento nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo só é menor do que em Xangai na China. Esses dados são apresentados por Pereira e Schwanen (2013) e podem se tornar um ponto de partida para que as empresas e startups invistam em inovações tecnológicas nessa área.

Atualmente há um custo elevado da saúde com os acidentes e mortes nas estradas, imaginem um futuro onde os motoristas sejam autônomos, sem intervenção manual. Provavelmente, os self-driving trucks vão mudar radicalmente o modelo de negócios de transportes e influenciar os índices da saúde, essa ideia é corroborada por Benvenutti et. al. (2016).

A transformação da cadeia de valor da indústria automotiva, em especial a de caminhões será enorme, pois um novo ecossistema virá para reduzir acidentes, custos, e modificar o sistema de revendas, oficinas, venda de pneus, entre outros itens. Em poucos anos, o controle da indústria automotiva e da própria logística por software se tornará uma realidade, como foi a implantação dos GPS e monitoramentos via RFID.

Um caminhão vai no ponto de carga, pega a carga, realiza o check-in e o checkout via aplicativo mobile e entrega ao destinatário com base em uma rota pré-definida e monitorada pelo sistema e que já considera o trânsito mapeado por outros sistemas como o Waze ou o Google Mapas.

Um exemplo real nos dias atuais é o Uber que virou sócio dos motoristas nos negócios de transporte porque arrecada algo em torno de 25% da receita do motorista. Segundo Benvenutti et. al. (2016), em um futuro poderemos ter mais uma disrupção nesse segmento com empresas como Cielo e Rede assumindo o lugar da Uber nas cobranças porque possuem comissões menos custosas.

Mas enfim, o que isso teria a ver com inovação e com o multiculturalismo?

A criação de serviços associados as novas industrias que emergem só tendem a crescer, com inovações simples, como a realizada pelo NuBank para permitir a antecipação de pagamentos parcelados com desconto. Outro exemplo foi uma determinada empresa do governo brasileiro que gerou um aplicativo que permite descontos de até 40% para pagamento das multas de maneira on-line.

Infelizmente, a inovação no Brasil é muito pouco incentivada pelo setor público, pois o mesmo é avesso a tomar risco, a visão aqui é persecutória e não incentiva a inovação. Em países como Estados Unidos e Europa, há mais tolerância ao risco e as regras só vem a posteriori das inovações. No Brasil é o inverso, se quer regular primeiro para depois permitir inovar. Um verdadeiro absurdo, pois inibe o processo inovativo.

Sem entrar na discussão de mérito, nos EUA, segundo Benvenutti et. al. (2016) a política do Vale do Silício, como a da prefeitura de São Francisco, é romper com o modelo tradicional e não ter vínculo com qualquer sindicato ou ordem de classe que amarre as entidades que ali se encontram, com o objetivo de fomentar as inovações.

No Brasil, não sei se o modelo funcionaria. A impressão é que nossa sociedade brasileira não está preparada para tal. Uma lei corretamente aprovada em tempos recentes com o apoio do SEBRAE foi a referente aos investidores-anjo que não desejam participar dos riscos dos negócios. A visão do mercado é que o mesmo deve ser remunerado pelos dividendos sem responder pelas ações dos executivos das organizações.

As próprias Fintechs que atuam em um mercado super regulado que é o mercado financeiro, tem buscado um trade-off entre a nova e velha guarda, com os bancos, seguradoras e a própria CVM. Em um futuro próximo viveremos o big brother das informações, onde o neuromarketing e a ciência de dados será utilizada para a análise dos padrões desse mercado. Muitas empresas podem vir a atuar prestando serviços para o mercado composto por startups, ventures, fintechs e seu ecossistema associado.

Pessoas inovadoras pensam fora da caixa, analisam as oportunidades e criam parcerias para sua execução, com perfis cada vez mais complementares nas equipes. Já diziam os sábios, quem se desloca tem preferência. A geração de uma boa ideia requer uma equipe comprometida e com perfis complementares, de preferência multiculturais para refinar as ideias com novas visões e executar os projetos de inovação.

Aproveite o espaço e regenere seus conhecimentos! Esteja junto conosco pensando nesse novo mundo.

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Um abraço e até a próxima! André Luis Azevedo Guedes. Pesquisador do Centro de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade – CTIS da UFF, Mestre em Sistemas de Gestão e Doutorando em Engenharia Civil com foco em Smart Cities e Inovação.

Como as cidades inteligentes inovam seus transportes?

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