A morte traz aprendizado aos gestores. Nas organizações, as pessoas possuem seus segredos e são constantemente desafiadas a refletir sobre suas ações e a própria consciência. Anormal é encontrar um gestor tranquilo, saudável e de bem com a vida.

O mundo corporativo ilude com a perspectiva que o sucesso na carreira pode ser bom para a família, para o espírito e para as relações de amizade. Inimaginável pensar em pessoas não estressadas, sob leve pressão e que não são levadas ao seu limite por diretores e acionistas.

Uma análise empirista traz à tona o que muitos negam, pois nada é verdade. Todos estão sob pressão e o tempo todo, a tecnologia tem auxiliado a evolução da sociedade, mas também o processo de extração da mais valia. Tenho que concordar com as palavras de Augusto Cury (2010) que avalia a juventude nos tempos modernos como sendo serva passiva do sistema social.

Mas por qual motivo os jovens estão presentes em uma avaliação do aprendizado dos gestores para com a morte? Por uma razão simples: jovens de qualquer idade, não se deixem enganar!

Os riscos são uma parte constante de aprendizado. Muitos anos de instrução podem ser reduzidos a pó senão soubermos conversar com o próprio interior cotidianamente. Depois do leite derramado, só restará a afronta e o desrespeito aos próprios sentimentos.

Aqui a morte nos traz uma primeira lição, pois no cemitério todos os homens são iguais, independentemente de classe social, coloração política, time de futebol, formação, opção sexual, ou raça. A morte ensina que um gestor precisa respeitar as demais pessoas de qualquer posição na pirâmide, todos os dias, em todos os momentos.

Os problemas existem para todos. Mas um dia eles também acabam. Quem acredita na reencarnação falará que valeu o aprendizado, o católico dirá que passou pelo seu purgatório, o evangélico que o senhor o libertou. Verdade, tudo isso é verdade.

Quando a morte chega ela toma de assalto nossos sentimentos, nos fazem fraquejar e reanalisar o quanto as pessoas são perenes e pequenas com seu próprio espírito. A autorreflexão pode demonstrar que sempre é hora de recomeçar, sempre é possível inserir uma vírgula no caminho. E para os gestores é igual, pois a qualquer tempo é permitido o recomeço.

As perdas são fonte constante de reflexão filosófica, científica e espiritual. Todos carregamos fantasmas e devemos discutir com eles nossas questões, mas nunca desistir de nos reajustarmos.

Enquanto há vida, os recomeços são permitidos. A vida não termina nessa passagem terrena, ela é parte maior de um cosmos onde todos estão inseridos. Nenhuma ideia é tão boa e completa que não tenha espaço para crítica e discordância. Não somos metade das ideias que carregamos.

A segunda reflexão que a morte nos permite é sobre ignorância. A abstração dos pensamentos é uma benção, pois quem nada conhece, nada sabe, nada sofre. Onde não há conhecimento tácito ou explícito existente – se é que haja essa possibilidade – a atenção social passa longe.

Já perceberam a caminho do trabalho quantas pessoas estão pelas ruas e sequer são observadas pela sociedade? Pela mesma sociedade que clama por justiça social. Há uma crise das famílias, das pessoas que discriminam e possuem uma insensatez constante.

A morte ensina que não devemos desrespeitar a história e a identidade de cada ser humano e isso independe se concordamos com o mesmo ou não. A maior parte das pessoas que se relacionam com um gestor jamais chegarão perto de serem suas amigas. Onde existem muitas amizades, existem muitas falsidades.

Aqui chega a terceira e última lição que a morte pode trazer aos gestores. As pessoas vivem presas em seus mundos, vendo a verdade através dos seus óculos. De que adianta o ego aos que se foram?

Lembro de um livro do autor Ricardo Lucena Jr. (1992) que li ainda na infância chamado “Longo caminho de volta” onde o mesmo apontava que sempre existem duas possibilidades de escolha e quando “se escolhe uma dessas alternativas, abandona-se a outra”.

Talvez aqui esteja a grande lição que a morte nos traz, pois não vale a pena lutar o tempo inteiro contra si. A família, o espírito e as verdadeiras relações de amizade não estão no ego, mas em nossas relações com o mundo. As escolhas que são feitas é que levarão ao futuro que desejamos, e as vezes não dá tempo!

De que adianta viver uma realidade que só traz angústia, infelicidade e alienação? Não defendo que é devido abandonar suas ideologias, mas buscar conciliar a vida profissional aos propósitos pessoais. Aqui o gestor tem um papel fundamental! Ele é o canal entre os clientes, os empregados, a diretoria e os acionistas.

A intelectualidade permite cada ser conhecer mais de si mesmo e do próximo. A sociedade atual tem permitido isso aos nossos filhos? Qual o futuro temos planejado e permitido para os mesmos? Nesse momento, já é possível delinear algumas reflexões.

Os gestores têm um papel fundamental para o meio ambiente, a sociedade, as organizações e o mundo de maneira geral. Finalizo com uma frase do autor Augusto Cury (2010): “vender coragem para os inseguros, ousadia para os fóbicos, alegria para os que perderam o encanto pela vida, sensatez para os incautos, críticas para os pensadores”.

Aproveite o espaço e regenere seus conhecimentos! Esteja junto conosco pensando nesse novo mundo.

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Um abraço e até a próxima! André Luis Azevedo Guedes. Pesquisador do Laboratório de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade – LITS/CITS da UFF, Mestre em Sistemas de Gestão e Doutorando em Engenharia Civil com foco em Smart Cities e Inovação.

O que os gestores aprendem com a morte?

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