O silêncio não faz bem aos gestores

As decisões de uma organização são tomadas a partir de analises e fundamentos gerados pelas áreas internas de uma instituição. As mesmas são compostas de núcleos consultivos e decisórios, onde todos possuem responsabilidades que podem ser chamadas de solidárias.

Nas empresas de médio e grande porte existem regimentos que regulamentam a vida daquela sociedade, ou seja, a instituição. Considerando a lei de licitações como exemplo, podemos assumir que os membros respondem solidariamente por todos os atos praticados, salvo se possuírem uma posição individual divergente fundamentada e registrada em ata.

Por que isso é tão importante no âmbito da governança corporativa? Os motivos são claros: decisões são tomadas a todo momento de acordo com critérios pré-definidos, com um rito já conhecido dos participantes.

As organizações produzem anualmente uma matriz de riscos corporativos que são acompanhadas pelos seus conselhos fiscal e de administração. Dentro dessa matriz são atribuídos valores aos riscos, seus impactos, bem como os responsáveis por mitiga-los e em qual prazo. Reuniões devem ser feitas periodicamente para o acompanhamento da matriz, pois o instrumento se constitui como um ponto fundamental de controle organizacional.

Cabe aos gestores responsáveis de cada área a busca de alternativas para tomar as ações corretivas e preventivas aos pontos identificados. Normalmente uma matriz possui objetivos a serem alcançados de acordo com os temas elencados como prioritários no planejamento estratégico, assim como a área responsável e quais ações devem ser tomadas, incluindo os recursos necessários e prazos. Há uma negociação constante das prioridades junto a gestão.

A alta administração de uma instituição monitora e patrocina os pontos de melhorias, mas a responsabilidade objetiva por gerir e aplicar as soluções é dos gestores através das suas equipes de trabalho. Nesse ponto, um item fundamental é o monitoramento e os controles, através de auditorias internas de gestão ou auditorias externas.

Uma das formas mais tradicionais de monitoramento interno é através de uma planilha ou um sistema contendo a avaliação de impacto dos riscos identificados e a frequência de quando os mesmos ocorrem. A partir desse levantamento inicial são realizadas ponderações de riscos para balanceamento do sistema e a adoção de planos de ação prioritários.

Uma outra forma, que pode ser combinada com a primeira, é a identificação de todos os processos em cada área, com detalhamento das atividades e procedimentos, para uma revisão ponderada dos mesmos com os critérios de abrangência, condições de atuação e operação e ocorrência pretérita dos riscos. O foco deve ser sempre preventivo, mas quando necessário, corretivo.

A governança corporativa é composta de partes integrantes de ações diversificadas entre todas as esferas da organização. As ações devem estar alinhadas com os objetivos e metas definidas pelo conselho de administração em conjunto com o corpo diretor, bem como sofrer auditorias periódicas dos órgãos de controle e acionistas, para verificação e tomadas de ações corretivas.

O processo da governança corporativa é auditável e produz evidencias dos seus parâmetros de controle, bem como a identificação dos responsáveis. Nesse ponto podemos retomar a discussão colocada no início do artigo. A responsabilidade solidária pelos atos de gestão.

Como os leitores podem perceber, não há desconexão entre os atos de gestão e as ações do corpo gerencial e funcional. Uma empresa é um corpo composto de partes, um ecossistema vivo, onde uma parte não funciona sem a participação da outra.

Muitos se enganam quando pensam que não são realizadas revisões críticas pelas gerencias, pois, a avaliação interna periódica é realizada pelos seus responsáveis. Nas organizações, os gestores se reúnem periodicamente para debater e avaliar os riscos. Isso é inerente a um processo fundamental da governança corporativa, o monitoramento.

As auditorias também devem prover não conformidades e apontar ações mitigadoras para os pontos identificados. Não existe na legislação, a não ser naquelas construídas na época da ditadura, uma possível intervenção nas atividades, sem que ao menos a administração tenha a possibilidade de ajustar as não conformidades.

Nos dias atuais, um ponto preocupante é a utilização dos órgãos de controle e fiscalização com viés estritamente político e persecutório. Normalmente nesses casos, podemos identificar atuações indevidas, principalmente por aqueles que são investigados transnacionalmente por atos e omissões.

Pode ocorrer em órgãos fiscalizadores que não fazem seu papel no mercado, de buscarem um bode expiatório para justificarem suas ações. Principalmente quando os mesmos são acusados em público, por órgãos de controle e integrantes de outras esferas do sistema de freios e contrapesos, de não cumprimento do seu papel institucional.

As auditorias, sejam internas ou externas devem possuir um plano de auditoria que é composto do contexto a ser analisado, a frequência da mesma, as metodologias a serem aplicadas, as responsabilidades e os requisitos que compõem as auditorias, com posterior apresentação dos resultados a todos os interessados, internos ou externos. (SEIFFERT, 2011)

A responsabilidade dos entes fiscalizadores e reguladores de um mercado, não permite a criação de mecanismos de insegurança administrativa, processual e jurídica aos entes fiscalizados. Não é aceitável que um processo de melhoria contínua seja maculado pelo próprio órgão responsável ou por fiscais com condutas direcionadas.

Todo um trabalho de melhoria sistêmica de uma instituição pode ser comprometido quando tais fatos ocorrem. Neste ponto permitimos uma última reflexão, como pode uma empresa com todos esses requisitos atendidos ser acusada de possuir problemas de governança corporativa?

A resposta parece óbvia, a fiscalização é realizada por pessoas. E as mesmas falham, principalmente quando estão acuados por alguém que exerce pressão sobre eles e buscam direcionar suas funções ou instigar resultados pretéritos desejados.

Um paralelo muito interessante é com os gestores das empresas, que também sofrem esse tipo de pressão, onde são duplamente pressionados, de um lado pelo corpo funcional que possui o intuito de manter seus empregos e pelo sistema que se utiliza de artimanhas administrativas para impor suas vontades.

O gestor fica duplamente acuado e decide se omitir, mas esquece que quando faz isso, está cometendo um crime de omissão voluntária, ou seja, ele desatende a um dever legal de evitar um resultado indesejável que contraria a ética profissional e seu dever de zelo.

Não é por acaso, que existem tantas pessoas doentes nos ambientes corporativos, principalmente nos dias de hoje, onde as pessoas optam voluntariamente por não assumirem suas responsabilidades com medo das consequências. Não agir e se omitir é a pior das opções, o preço é a responsabilização futura pelos fatos passados.

 

Conheça a RODA Consultoria e Treinamento através do site: http://www.rodaconsultoria.com.br.

 

Regenere seus conhecimentos! Se preferir, esteja conosco no LinkedIn e pense nesse novo mundo. Mais dicas em: https://br.linkedin.com/in/alaguedes.

Um abraço e até a próxima! André Luis Azevedo Guedes. Fundador da RODA Consultoria e Treinamento. Pesquisador do Laboratório de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade – LITS/CITS da UFF, Mestre em Sistemas de Gestão e Doutorando em Engenharia Civil com foco em Smart Cities e Inovação.

O silêncio não faz bem aos gestores

Deixe uma resposta