Cidades Inteligentes e suas soluções

O conceito de cidades inteligentes começou a se formar a partir da percepção de que o desenvolvimento da tecnologia da informação influenciaria cada vez mais o comportamento das sociedades modernas. Autores como Pierre Lèvy (1993) logo entenderam que esse avanço tecnológico contribuiria para uma sociedade conectada por fluxos de informações organizados em redes, afetando e sendo afetada em seus hábitos, costumes e sobre tudo no modo de gestão de suas comunidades.

William Mitchell (1999), anteviu que nas cidades inteligentes do século XXI, a urbanidade não se focaria mais apenas em recursos ou na acumulação material, mas na conectividade, na informação e na gestão inteligente do ambiente urbano. De fato, na atualidade, estamos observando essas transformações no comportamento social e a evolução na relação com a administração do ambiente metropolitano moderno.

A ampliação dos fluxos de informações numa sociedade conectada contribuiu para o surgimento e compartilhamento de conhecimentos em todas as áreas, motivando o aparecimento de novas necessidades e novas demandas sociais. A tecnologia afetou e foi afetada pelas mudanças no comportamento social e vice-versa.

Na atualidade, vemos muitas cidades buscarem por novas soluções que agreguem de forma estratégica seus recursos, infraestrutura, esforços e sistemas tecnológicos com o objetivo de gerar valor com sustentabilidade, melhorar a qualidade de vida no ambiente urbano e atender às complexas e crescentes necessidades de serviços e da economia em suas sociedades.

Sabemos que os problemas nos centros urbanos, considerando apenas os aspectos técnicos, são complexos e de difícil equacionamento, tais como saneamento, transportes, fornecimento de energia, distribuição de água, coleta e controle na emissão de resíduos. Em outras palavras, as cidades para serem inteligentes percebem que precisarão equacionar de forma equilibrada seus múltiplos desafios com novas soluções tecnológicas.

Alguns conceitos ganham força na construção dessas soluções para as cidades inteligentes, tal como o Big Data, que ganha força em decorrência da necessidade de sistemas que processem e analisem em tempo real as maciças quantidades de dados decorrentes do uso intensivo de internet e sistemas informatizados pelas empresas e na sociedade.

Outros novos conceitos tecnológicos emergentes também podem acelerar as soluções para as cidades inteligentes. Um deles é o da Internet das Coisas (IoT), que prevê a conexão de equipamentos e dispositivos à internet para a partir de aí explorar suas funcionalidades de forma remota, programada, planejada e otimizada.

Por fim, as cidades inteligentes requerem soluções igualmente inteligentes, o que envolve o uso eficaz da tecnologia e o equilíbrio entre as necessidades de governança, sustentabilidade, planejamento estratégico, conectividade, infraestrutura e segurança.

 

Bibliografia:

LÈVY, Pierre. As tecnologias da inteligência – o futuro do pensamento na era da informática. Tradução Carlos Irineu da Costa, Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993

MITCHELL, William J. [1999] e-topía ―vida urbana, Jim, pero no la que nosostros conocemos‖. Barcelona: Gustavo Gili, 2001

 

Darwin Magnus Leite é formado na Escola Naval (1984), graduação em Engenharia Eletrônica, Mestrado em Sistemas de Gestão, especialização e certificação PMP, certificação PMO-CP. Atuação profissional predominante como Gerente de Projetos para o desenvolvimento de sistemas eletrônicos e como PMO, na Marinha do Brasil, Petrobras Engenharia e Queiroz Galvão Exploração & Produção. Participação na elaboração do Livro Gestão do Conhecimento e Inovação (2010) de autoria do professor Martius. Atualmente atua como consultor independente, pesquisador pela UFF e participa na coordenação do livro SMART CITIES a ser publicado em conjunto com demais colaboradores da UFF.

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