O papel das Startups no novo ecossistema das Cidades mais Inteligentes

As startups são empresas baseadas nas ideias de seus fundadores, as mesmas validam modelos de negócios e produtos que podem se tornar escaláveis com base em novas tecnologias. As cidades atuais precisam incorporar essa nova dinâmica de negócios.

Atualmente é possível visualizar movimentos para criação de incubadoras de empresas que no fundo ainda utilizam um modelo patriarcal para medir a relação investimento/retorno. Empresas em fase de germinação e validação dos seus modelos de negócios precisam de um ecossistema robusto para se desenvolverem.

A interação de equipes multidisciplinares com formações distintas é fundamental para a validação correta de ideias e aproveitamento da experiência dos participantes. O advento das cidades mais inteligentes requer desenvolvimento de soluções que sejam facilmente escaláveis.

As barreiras de entrada para as empresas em fase inicial são muitas, pois além das soluções não estarem 100% prontas, a legislação das cidades não prevê a participação dessas empresas em seu ecossistema. Qual startup conseguiria cumprir todos os requisitos da lei 8.666?

Há poucos dias participei de um evento da Google chamado Startup Weekend, o mesmo que fomentou o Easy Taxi no Brasil. Na ocasião fiquei me perguntando quantos dos empreendedores e empresas ali presentes conseguiriam um fomento municipal para ajudar a desenvolver a cidade. A conclusão que cheguei: nenhum e nenhuma.

Como podemos discutir com base na literatura e nas experiências das cidades, modelos mais rápidos para adoção de tecnologias e novos negócios se as legislações são arcaicas e não proveem segurança jurídica para tal?

Alguns entusiastas vão citar: a lei de Inovação, outros a lei do Bem e mais alguns, a necessidade do fomento através das agências de desenvolvimento de negócios, mas serão esses os caminhos a serem percorridos? Essa questão ainda está latente em minha mente!

Pude constatar que em uma cidade de médio porte e alta renda per capita existem muitas mentes pensantes e ávidas por realizar novos negócios. O caminho não possui solução única, temos que buscar incentivar nos jovens, o empreendedorismo, seja com foco econômico, social ou ambiental.

Alguns não seguirão nessa trilha e buscarão outras profissões, no entanto, para a distribuição das riquezas de nosso país, um primeiro passo é melhor organizar a qualidade de vida nas cidades. Campos como segurança pública, mobilidade e saúde são prioridades das pessoas que vivem nos locais que denominamos de cidades.

O advento da cidade mais inteligente requer pensamentos múltiplos e validação de ideias, com a transformação das mesmas em soluções, sejam através dos serviços ou produtos. Arquétipos e modelos devem ser utilizados para pensar o futuro, fomento de novas empresas pode ser uma solução para a questão do desemprego que assola nosso país.

Investidores estão dispostos a correr riscos para alcançar as metas de rentabilização do dinheiro investido. O fomento das novas empresas é necessário para um país mais igual e com maior distribuição das riquezas.

Vivemos um caminho sem volta: empreendemos ou morremos, muitos modelos de negócios, nas industrias mais tradicionais se mostram viciados e com foco exclusivo na lucratividade imediata. A sociedade precisa mudar essa mentalidade e o jovem possui papel fundamental nesse novo ecossistema que busca uma governança global mais aberta e transparente.

 

Bibliografia:

SARKAR, Soumodip. O desafio da inovação nas organizações. In: MOSTRA PUC EM INOVAÇÃO E SEMINÁRIO IAG/PUC INOVANDO PARA COMPETIR, 1., 2007, Rio de Janeiro. Anais. Rio de Janeiro: IAG PUC, 2007.

SCUOTTO, Veronica, Alberto Ferraris, and Stefano Bresciani. “Internet of Things: Applications and Challenges in Smart Cities: A Case Study of IBM Smart City Projects.” Business Process Management Journal 22, no. 2 (2016): 357-67.

 

André Luis Azevedo Guedes é Fundador da RODA Consultoria e Treinamento. Pesquisador Científico do Laboratório de Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade (LITS) da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do CTSMART – Centro de Tecnologias Smart. Doutorando em Gestão, Produção e Meio-Ambiente na Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFF, com foco em Smart Cities e Inovação. Atuou na formação e coordenação de mais de 500 pessoas.

 

 

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